Ciência sem fronteiras

Ciência sem fronteiras. Programa do Governo Federal que concede bolsas de estudo no exterior para estudantes de mestrado e doutorado

Ciência sem fronteiras

Quem sempre teve o sonho de estudar e se especializar no exterior, teve o Ciência sem Fronteiras, o CsF motivos suficientes para se encher de esperanças. O programa que segundo o próprio website, “busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional”, foi uma iniciativa conjunta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). O CsF se tornou realidade através das já citadas intuições, CnPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Capes- Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior, além da Secretaria de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC, todos grandes fomentadores da educação no país e de grande importância no que tange à prestação de assistência aos alunos que por mérito buscam auxílio.

Ciência sem fronteiras

O grande objetivo da iniciativa consistia no investimento na formação de pessoas altamente qualificadas que pudessem agregar para o avanço de nossa sociedade. Além disso, intencionava fazer com que nossos pesquisadores marcassem presença no exterior, ampliassem conhecimentos que pudessem ser aplicados na indústria tecnológica brasileira seguindo o conceito da inovação, além de atrair talentos estrangeiros dispostos a trabalhar no Brasil.

Inicialmente, o projeto previa a utilização de até 101 mil bolsas em quatro anos, que promoveriam o intercâmbio, de maneira que alunos brasileiros tanto de graduação quanto pós-graduação pudesse vivenciar sistemas de educação modelo em tecnologia e inovação. Na contramão deste objetivo, visava também atrair pesquisadores estrangeiros que quisessem atuar e colaborar com nosso país.

Em pequena escala o programa contemplava também pesquisadores de empresas que tivessem o interesse de se especializar no exterior. A proposta foi cumprida e até 2016 foram conferidas 101.446 bolsas. Os principais destinos de aprendizado dos brasileiros no exterior nesse período foram Estados Unidos e Reino Unido. Sendo a Engenharia e as demais áreas tecnológicas as que mais emplacaram bolsistas, foram mais de 45 mil.

Entretanto, o último edital do programa Ciência sem Fronteiras foi em 2014 e recentemente o novo ministro a educação Mendonça Filho fez um pronunciamento polêmico que aparentemente decretava o fim do programa. Mas, afinal, o CsF é passado na conjuntura brasileira?

Em partes sim, pelo menos da forma que era antes. Embora os bolsistas que já estejam fazendo o intercâmbio estejam garantidos até o final de seus estudos, o governo não abrirá mais vagas para estudantes de graduação, os grandes beneficiários do programa até então. Os mesmos abocanhavam 79% das bolsas oferecidas.

E como fica o programa para os demais? A resposta exata ainda está envolta em mistério. Entretanto, há editais abertos para pós-graduação e doutorado sanduíche que serão mantidos intactos.

Segundo o ministro a principal alteração ficará por conta da ampliação de ofertas de vagas para a pós-graduação e expansão dos programas a estudantes do ensino médio, o que se tornaria uma opção para estudantes de escolas públicas de baixo poder aquisitivo. Entretanto, qualquer novo edital está condicionado à disponibilidade orçamentária, e caso não haja, não terá programa. E esse seria um dos principais entraves do programa perante os olhos do novo governo, o elevado custo do programa.

Contraditoriamente, circula simultaneamente no congresso, um projeto de lei que tem como objetivo regulamentar o programa, o elevando de mera prática adotada por determinado presidente a um programa regular do governo.

Por enquanto, apesar de não haverem editais para a graduação, valem as regras anteriores, e as áreas aptas a receberem bolsa são: Engenharias e demais áreas tecnológicas; Ciências Exatas e da Terra; Biologia, Ciências Biomédicas e da Saúde; Computação e Tecnologias da Informação; Tecnologia Aeroespacial; Fármacos; Produção Agrícola Sustentável; Petróleo, Gás e Carvão Mineral; Energias Renováveis; Tecnologia Mineral; Biotecnologia; Nanotecnologia e Novos Materiais; Tecnologias de Prevenção e Mitigação de Desastres Naturais; Biodiversidade e Bioprospecção; Ciências do Mar; Indústria Criativa (voltada a produtos e processos para desenvolvimento tecnológico e inovação); Novas Tecnologias de Engenharia Construtiva; e Formação de Tecnólogos.

O que se viu até hoje, foram os estudantes e pesquisadores brasileiros ingressantes no CsF recebendo treinamento e tendo oportunidade de participar dos melhores grupos de pesquisa disponíveis, prioritariamente entre os mais bem conceituados nos rankings internacionais. Quem faz essa seleção são renomados parceiros no exterior que em união com as entidades brasileiras, CNPq e Capes graduam os melhores cursos e intuições habilitados a receber brasileiros. O retorno dado por participantes do programa na ocasião de seu retorno também vinha se configurando um importante medidor. A chave do programa estava em unir a habilidade do candidato às instituições renomadas na área de atuação dele.

As bolsas variam de acordo com o país que o estudante ou pesquisador irá morar e da modalidade que irá cursar. Um estudante que fosse para um país pertencente a zona do euro na Europa receberia para pós doutorado, 2.860 euros mensais. Para doutorado pleno e sanduíche, 1770 euros mensais. Enquanto um estudante de graduação recebe bolsa de 1180 euros mensais, no caso vigente para os que ainda não terminaram o intercâmbio.

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