A situação da mulher na idade média

Situação da Mulher na idade média

Na idade média muitas mulheres exerciam principalmente os papéis de mãe, esposa e filha. Porém, outra grande parcela significativa de mulheres desempenhava outros papéis na sociedade, sendo que algumas delas desempenhavam papéis com importância significativa.

Muitas mulheres tinham uma profissão, e trilhavam carreiras profissionais notórias, outras mulheres trabalhavam de maneira autônoma, eles conduziam os seus próprios negócios sem a tutela de seus pais ou maridos.

Inclusive alguns registros do século XIII encontrados na França trazem informações de mulheres que teriam sido médicas, professoras, tintureiras, boticárias (que equivalem às farmacêuticas de hoje), arquitetas e miniaturistas. E além de todas as mulheres que desempenhavam profissões que são muito importantes dentro de uma saciedade, há registros de mulheres que eram abadessas (cargo religioso de primeira dignidade) e rainhas.

E um dado muito curioso e que chama muita atenção, é que nessa época as mulheres tinham poder de voto nas comunas burguesas. E essa informação se faz muito interessante, pois na sociedade moderna esse direito só foi conquistado relativamente pouco tempo.

No entanto, nem em todas as religiões e sociedades as mulheres tinham tanto protagonismo assim na Idade Média. Dentro do Judaísmo, por exemplo, as mulheres eram totalmente subordinadas aos seus maridos. Essa submissão era facilitada pelo fato de que a grande maioria das mulheres se casava muito cedo e diferença de idade para os maridos costumava ser grande.

Por outro lado, havia camponesas, solteiras ou casadas que eram chefes ou as anciãs de suas aldeias. Entre os camponeses da Idade Média a mulher vivia em sociedade com patamar de igualdade em relação aos homens.

No campo do conhecimento, não era comum que meninas frequentassem instituições de ensino, mas existem alguns registros de meninas que estudavam em algumas instituições de Florença. Porém, em lugares que aceitavam meninas costumava funcionar da seguinte maneira: as meninas eram separadas dos rapazes para todas as atividades de ensino.

Em relação aos aspectos estéticos, na Idade Média era muito comum e tradicional que as mulheres tivessem um cabelo muito longo, esse comprimento do cabelo era tido ao mesmo tempo como um “véu natural” e como atributo sexual. Mas tudo que era referente aos cabelos requeria muita descrição, por isso os atos de pentear, lavar e todos os cuidados com os cabelos deveriam ser feitos de maneira reservada, dentro dos quartos. E sempre que as mulheres fossem sair de casa era estritamente necessário prender os cabelos, as tranças eram os penteados mais utilizados.

Os trajes das mulheres, que tinham mais posses, costumavam seguir a linha dor corpo com um busto muito justo, enquanto as saias eram bem amplas, trajes nesses formatos se assemelham muito a vistos em filmes que envolvem castelos, impérios e até mesmo contos de fada.

Mas mesmo naquela época, nem todas as mulheres podiam e queriam se tornar instruídas e arranjar um bom casamento. A prostituição era considerada uma marginalidade das mais graves, segundo alguns registros as mulheres que escolhiam ou eram fadas a esse caminho, começava a se prostituir a partir dos 17 anos.

Nessa época, algumas mulheres se destacaram e entraram para a história da humanidade de diferentes maneiras. Hildegarda de Bingen (1098 – 1179), por exemplo, era uma mulher multifacetada, era teóloga, médica informal, escritora, compositora, entre outros papéis. Mas, poucos sabem que ela foi uma das grandes responsáveis por quebras barreiras do preconceito que havia contra as mulheres, ao se tornar uma verdadeira autoridade em assuntos teológicos. Hildegarda era respeitada por todos os seus contemporâneos e atualmente é considerada uma das figuras mais importantes do século XII na Europa. E o mais interessante é que o Papa Bento XVI, em 2012, a tornou oficialmente uma santa da Igreja Católica.

Outra mulher que se destacou na história europeia foi poetisa e folósofa Cristina de Pisano (1363-1430), Cristina é autora do livro “A Cidade das Mulheres”, e era uma crítica constante do preconceito no meio literário contra as mulheres, ela era uma defensora ativa da teoria de que as mulheres deveriam ter papéis mais ativos na sociedade. Além disso, foi contra a exclusão das mulheres nas Universidades Francesas do século XIV.

A Rainha Leonor da Aquitânia (1124 – 1204) exerceu amplamente as funções reais, dominou o seu reino com poder ilimitado. Leonor é considerada uma das mulheres mais poderosas e mais ricas da Idade Média, ela foi rainha da França e da Inglaterra. Tanta foi a sua importância que teve sua história com o Rei Henrique II, da Inglaterra, no filme “O Leão no Inverno”.

Resumindo tudo isso, podemos afirmar que ao contrário do que se pensava por muito tempo, a situação de todas as mulheres da Idade Média não era tão precária e tão indigna assim. Elas tiveram oportunidades, espaço e protagonismo. Inclusive podemos observar na Idade Média a mulher tinha mais espaço e destaque na sociedade, do que as mulheres tinham durante o início do século XX.

Comentários