Ortografia: como escrevo as palavras?

Ortografia
Ortografia

Quantas vezes aquela dúvida pairou em nossas mentes, quando nos deparamos com qual grafia é a correta para escrever determinada palavra? Será que é com s, ss, c, sc, x ou ch? Todas elas produzem o mesmo som. Antes de entender os mistérios da ortografia, é preciso entender o processo de formação das palavras.

Entendendo como se criam as palavras

As palavras são grafadas conforme os sons reproduzidos pela fala, cada som é correspondente a uma sequência de símbolos gráficos, expressos pela estrutura linguística de cada língua, além de serem influenciados pela sua origem ancestral. Neste processo, a palavra passa existir a partir da união entre os morfemas, que são as menores estruturas da palavra, que juntos, constituem os chamados fonemas. Daí por diante, as sílabas; e por fim, as palavras.

Todas as palavras sofrem um processo de formação, entre aspectos imutáveis, como o radical, o qual será sempre identificado. E outros adjacentes, como os prefixos e os sufixos, cuja a reformulação é constante, conforme as mudanças na sociedade e as interações humanas. Assim nascem as palavras. De uma simples partícula sonora até a sua construção por inteira. E nesse vai e vem de sons e sentido, surgem as dúvidas, principalmente no âmbito ortográfico. Afinal, alguns sons são próximos e às vezes não correspondem com letra grafada.

A forma como se escreve graficamente uma palavra é estudada pela ortografia, em que se baseia em diversos critérios, como a origem das palavras e suas transformações durante o tempo e pelo seu som.

O que é ortografia, afinal?

A ortografia é uma parte da gramática normativa que se ocupa em definir a grafia correta das palavras dentro da variante padrão, através de um conjunto se símbolos, formas, pontuações e etc. Deve-se entender que a forma como se escreve ou grafia uma palavra é dado por uma convenção social.

A finalidade da ortografia é tentar transcrever os sons de uma determinada língua com os símbolos escritos, comumente realizados por uma aproximação, que não a isenta de ambiguidade. A sua outra finalidade é a conservar a unidade linguística de uma comunidade e é regulada pela Academia de Letras.

Assim como a gramática, a ortografia também tem as suas variantes. Algumas ortografias são baseadas nos fonemas, que são a representação abstrata dos sons das palavras, como ocorrem na Língua Portuguesa; outras, por sua vez, baseiam-se pelos critérios etimológicos, os quais remetem as origens etimológicas das palavras, como no francês. Esta última há uma divergência na pronúncia com a escrita.

A concepção ortográfica se dá pelos acordos ortográficos que envolvem países falantes do mesmo idioma, para promover unificação entre a mesma língua. De fato, por mais que seja o mesmo idioma, há diferenças quanto a sua variante. As variantes ocorrem pelas diferenças de contextualização vivenciadas pelo falante, que fazem da língua uma entidade complexa e representativa daquela comunidade.

Acordos Ortográficos Brasileiros

Para estreitar relações políticas e estreitar a comunicação entre países falantes do mesmo idioma foram estipulados os acordos ortográficos. Eles têm a finalidade de unir as nações em torno de medidas que linearizam a forma como se escrevem algumas palavras específicas, assim como a acentuação. Foram decretados alguns acordos, ao longo desses anos, que culminaram na língua que temos hoje em dia.

O primeiro acordo realizado entre os países que falam português realizado em 1931 com objetivo de promover união ortográfica, no entanto, esta tentativa não obteve muita aceitação. No Brasil, houve outros acordos nos anos 1943, 1945, 1971 e 1973. Em 1986, um encontro de todos os representantes dos idiomas lusófonos foi firmado, contudo, mais uma vez não obteve sucesso.

O último acordo firmado, que entrou em vigor em 2009, estabeleceu-se mudanças como o acréscimo das letras k, w e y ao alfabeto e outras alterações em grafias de palavras.

Um ponto importante para a grafia da palavra está na dicionarização. A absorção da ortografia de uma língua, independentemente se é materna ou não, ocorre de maneira gradativa, constante e ininterrupta, pois acompanha as mudanças da própria língua. Em alguns países, por exemplo, o uso do acordo tem sido ignorado, devido a força das culturais que não veem com bons olhos as mudanças. Contudo, toda mudança é aceita e internalizada pelo falante.

O aprendizado da ortografia, assim como da gramática, é um processo lento e cauteloso, devido à complexidade do idioma. Ele deve vir com a leitura e escrita durante os anos escolares. Outro ponto também debater dentro deste texto, é sobre não enfatizar os erros. A gramática normativa estipula algumas regras sobre o funcionamento da língua, segundo as manifestações da linguagem, embora não seja absoluta no que diz respeito do que é usual ou não.

Ela define a norma padrão da língua portuguesa, mas não compreende os diversos modos de falar o português existente dentro do Brasil. Entender a norma padrão é um privilégio e não pode ser entendido com algo que oprime outros indivíduos que não tiveram a mesma educação. A Língua é um organismo vivo, que como tal, deve ser respeitado e livre.

A ortografia também tem a sua função, mas é importante lembrar que não existe o certo ou errado, existe a liberdade em transitar entre os vários dizeres e saber utilizá-los nos mais diferentes espaços.

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