A segunda lei de Mendel

Depois de elaborar a primeira lei, Mendel continuou suas pesquisas chegando a conclusões que o fizeram elaborar a sua segunda lei, também conhecida como lei da recombinação.

A segunda lei de Mendel

Até aqui as análises foram de características isoladas. Falamos de cor de olhos no nosso exemplo, ou das cores de sementes verdes ou amarelas. E foi exatamente como Mendel trabalhou em um primeiro momento: isolando os fatores para entender o que acontecia com cada um deles e chegar a primeira grande conclusão.

Acontece que as características não são isoladas. As ervilhas não têm apenas a cor das sementes como características, assim como os seres humanos não possuem apenas a cor dos olhos para sua formação. Sobrancelha, lábios, nariz e altura são alguns dos detalhes que precisam ser formados e explicados.

Essas dúvidas percorreram a cabeça de Mendel que continuou seus estudos, mas desta vez considerando características diferentes. Nessa nova fase do estudo, ele seguiu utilizando-se das suas ervilhas, contudo olhando características em conjunto. Ou seja, ao invés de apenas analisar os efeitos da cor das sementes (amarelas ou verdes), ele também analisou as textuais (lisas ou rugosas) de cada uma delas.

Voltando para o estudo que foi apresentado na primeira lei de Mendel, a geração parental continuou sendo pura, ou seja, autofecundada e formada por ervilha amarela e lisa e foi cruzada com ervilha verde e lisa e gerou aquelas ervilhas amarelas. Com o mesmo processo, lembra que foram geradas três sementes amarelas e uma verde?

Mendel utilizou aquele mesmo grupo, adicionando agora as características de textura na sua análise e percebeu que a semente lisa era dominante sobre a semente rugosa. Assim, ele nomeou a semente original lisa e amarela como RRVV (maiúsculas porque são dominantes) e a semente verde e rugosa como rrvv (minúsculas porque são recessivas).

A dúvida natural é o porquê do par de letras. Lembre-se que cada característica é formada por um par de genes. No caso “RR” ou “rr” representam a cor da semente, enquanto que “VV” ou “vv” representam a textura. É importante observar que o código poderia ter sido RrVv, o que indicaria um par de genes de cada tipo (um amarelo e um verde, assim como um liso e um rugoso). Neste caso, apenas dos genes iguais, essa ervilha seria amarela e lisa, pois são os fatores dominantes nos genes.

Foi esse raciocínio que Mendel utilizou para montar uma tabela de probabilidades para cada semente (imagem ao lado). Cada ervilha cedeu à nova geração um par de genes que poderia ser RV, Rv, rV ou rv, formando a nova semente de acordo com o seu gene.

Ao montar a tabela de probabilidades de cada semente, Mendel percebeu que em nove dos dezesseis casos, a semente seria amarela e lisa, justamente pelo fato de serem dominantes. Ou seja, a presença dessa característica em um dos genes já era suficiente para determinar o tipo da nova semente porque eram os alelos dominantes.

No complemento do estudo, por três vezes a semente seria verde e lisa, por três vezes ela seria amarela e rugosa, e apenas uma vez ela poderia ser verde e rugosa, já que apenas se ambos os gentes tivessem essas características recessivas seria possível ver uma semente deste tipo.

Com essa análise, Mendel conseguiu formular sua segunda grande teoria (Segunda lei de Mendel): “a manifestação da segregação independente dos fatores, ou seja, a separação de dois ou mais genes alelos localizados em diferentes pares de cromossomos homólogos”. Ou seja, as características se combinam se acordo com seu par e manifestam-se independente dos demais fatores.

Voltando ao exemplo do pai de olhos castanhos com a mãe de olhos claros e supondo que essas características fossem nomeada como Mendel fez com as cores de suas ervilhas, o pai teria genes RR ou Rr, pois os olhos castanhos são dominantes, enquanto que a mãe teria genes rr.

A reação imediata seria concluir qual a cor dos olhos do filho. Eles seriam necessariamente castanhos já que o pai tem olhos desta cor e trata-se da cor dominante? Neste caso, dependeria dos genes deste pai. Se fosse o gene RR, a resposta seria sim, afinal o filho receberia um alelo dominante do pai e o alelo recessivo da mãe ficaria em segundo plano.

Por outro lado, caso o pai tivesse um gene Rr, seria possível que o alelo concedido fosse o “r”, permitindo que o filho tivesse olhos claros. A chance é muito menor, mas existe. Esse exemplo seria o mesmo que encontrou Mendel ao ver duas sementes amarelas gerando uma semente verde: elas tinham o gene recessivo (verde), só não era visível em suas características por elas herdarem o dominante também.

Esse é apenas um exemplo entre tantos possíveis, mas fica muito mais fácil entender como as características são herdadas. Imagine o mesmo modelo para cada característica do nosso corpo e o funcionamento é o mesmo. É assim que os filhos são gerados e sempre com características semelhantes aos seus pais.

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