A primeira lei de Mendel

A primeira lei de Mendel

Não se preocupe se ficou confuso de entender o significado dos alelos ou a formação das características do ser da nova geração. Um monge agostiniano irá ajudar a entender tudo isso de maneira muito mais simples: Gregor Johan Mendel. Monge? Exatamente, um monge que se interessou em entender a transmissão de características dos pais para os filhos no século XIX.

Mendel trouxe algumas informações muito importantes que são válidas até os dias atuais e que explicam a formação dos indivíduos e como são herdadas as características de cada um. Com ele foram formuladas duas grandes leis da Genética e elas permitirão entender melhor como tudo isso funciona.

Para fazer seus estudos, Mendel utilizou-se de ervilhas-de-cheiro. A razão da sua escolha foi simples: essas ervilhas podem produzir sementes das cores amarelas ou verdes. Essa diferença pode ser associada ao que estamos discutindo, como a coloração dos olhos, com a vantagem de que as sementes das ervilhas são cultivadas de maneira muito mais veloz do que crianças.

Antes de qualquer experimento e visando não ter interferências nos seus resultados, Mendel utilizou da autofecundação, para obter ervilhas de linhagem pura, ou seja, ervilhas de sementes verdes que só gerassem sementes verdes e outras sementes amarelas que só gerassem sementes amarelas, garantindo assim a manutenção das características da geração anterior.

A partir deste ponto, Mendel realizou cruzamentos a fim de identificar características nas novas gerações. Ele analisou as características de forma isolada, ou seja, analisou individualmente se eles eram verdes ou amarelas e, também isoladamente, se eram lisas ou rugosas.

Para ficar mais fácil de entender, não usaremos as duas características, mas apenas a coloração. Mendel resolveu cruzar ervilhas puras de sementes amarelas com ervilhas puras de sementes verdes. A essa primeira geração, ele nomeou geração parental. Todas as sementes observadas nesse cruzamento foram amarelas.

Para essa nova geração de sementes amarelas, Mendel realizou novamente a autofecundação nessa geração e obteve três sementes amarelas e uma semente verde, mesmo com a geração parental sendo de sementes amarelas.

Através deste estudo, Mendel encontrou a diferença entre características recessivas e dominantes. Neste caso, a semente amarela era dominante e apareceu três vezes nas quatro novas sementes (75%), enquanto que a semente verde só apareceu uma vez (25%). Ou seja, entre as características de cor, a semente verde é a cor recessiva. Esse foi o mesmo resultado obtido para as demais características, como a textura, por exemplo.

Com isso, Mendel conseguiu algumas conclusões importantes que são válidas até hoje e não apenas para ervilhas, mas para todo ser vivo. Ele percebeu que as ervilhas tinham um par de características (no caso, sementes verdes e amarelas) e que levavam isso consigo. Ou seja, cada ser vivo tem um par de genes para cada característica.

Ficou confuso? É simples: cada semente tinha um par de cores (verde e amarelo), mas como o amarelo é dominante, só ele se manifestou em um primeiro momento. Contudo, mesmo quando cruzou sementes amarelas, Mendel conseguiu obter uma semente verde. Isso prova que o gene verde existia naquelas ervilhas anteriores, apenas era a cor recessiva e não se mostrava sobre o amarelo.

Assim, Mendel percebeu que além de ter dois genes, metade é herdada do pai e metade é herdada da mãe. Através destas conclusões, ele formulou a sua teoria, nomeada como primeira lei de Mendel: “Cada caráter é determinado por um par de fatores genéticos denominados alelos. Estes, na formação dos gametas, são separados e, desta forma, pai e mãe transmitem apenas um para seu descendente”.

Ou seja, cada característica é formada por um par de genes (fatores genéticos) que são, pro sua vez, chamados de alelos. Eles se separam no ato da reprodução e unem-se, sendo um do pai e outro da mãe, para a formação do indivíduo. A característica da nova geração será justamente aquele alelo que for dominante sobre o outro.

Voltando ao nosso exemplo, agora fica mais fácil de entender. Os olhos castanhos do pai equivalem à semente amarela de Mendel. Ambos são alelos dominantes e prevalecem sobre os olhos claros da mãe e a semente verde de Mendel, que são os alelos recessivos. É importante lembrar que os filhos não perdem as características, apenas não são visíveis porque a outra prevaleceu.

Esta contribuição de Mendel mudou a visão da Biologia e foi determinante para uma série de estudos posteriores sobre genética e hereditariedade. Até então, não se sabia como exatamente acontecia na reprodução e as explicações para as semelhanças entre pais e filhos. Mendel trouxe as respostas necessárias e ajudou a entender muito sobre a Genética.

Embora já fosse incrível uma descoberta como essa, ele não parou por aí. Mendel continuou estudando suas ervilhas e o comportamento delas entre si e chegou à outra importante conclusão que foi nomeada como “segunda lei de Mendel”.

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